Zé Urbano

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

INTERROGATÓRIO

Por que não temos a senha
do senhor que desenha as ondas do mar?
Por que não nos é permitido
matar o bandido que quer nos matar?
Por que não temos a decência
de atribuir à ciência a fome que aí está?
Por que chegamos ao fundo sem saber se esse mundo
no fundo tem fundo ou é só um fundo que há?
Por que fazemos tanta pergunta
se o Senhor não assunta e nem resposta nos dá?


QUE FUTURO!


Já pensou um livro-comprimido!
Você engole e está lido!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

IMPOTÊNCIA

Cá estou eu com 48,
mês que vem 49,
ontem eram só 28,
bah! o tempo corre.
Num dia tão afoito,
noutro nem se move.
AMBULÂNCIA


Tu me deixastes;
a decisão foi desistir.

Aí eu chorei despedaçado
e acabei por descobrir;
que a ambulância desta dor
é esta lágrima que eu choro por ti.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

DANGER


Toda bula
é uma pantomima.
Nas indicações
ela te cura,
nos efeitos
ela te elimina.

A VERDADE SOBRE A MENTIRA


Na verdade, a mentira e a verdade,
dependem muito da idade:
A criança nunca mente, de verdade;
O jovem mente sem saber a verdade;
O adulto mente, isso é verdade;
O velhinho só mente a idade;
E o resto? Nos mentem uma barbaridade!
DESPERDÍCIO


Quando eu fui jovem
era muito cedo.
Quando chegou a hora
me deu um medo.
Depois parou o tempo,
e eu morri vazio.

CANDORES

O canto dos negros
é o canto das dores.
O canto dos milicos
é o canto dos ditadores.
O canto dos anjos
é o canto dos andores.
O canto das mulheres
é o canto dos ardores.
O canto dos homens
é o canto dos predadores.
O canto dos conventos
é o canto dos pudores.
O canto das igrejas
é o canto dos credores.
O canto que eu canto
é o canto dos candores.
POETA QUE ME PARIU

Acordar de madrugada
é a minha rotina.
As palavras não dormem;
dorme só, minha menina.
Ao levantar-me
no escuro, uma quina...iiii!
(Poeta que me pariu!)
Já é a primeira dor
que chega e me domina.
Depois vêm outras dores.
Já é bem tarde, sol em cima.
Voltar à cama não dá mais
e nem mais me quer
minha linda Cristina.
Meu corpo reclama e ensina
que a função de escrever
é igual a distância que há
entre a dor e a aspirina.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


FETICHE

Eles me deixam de quatro,
me fazem escravo desse amor.
Teus pézinhos trinta e quatro,
que eu amo com tanto ardor.

Eles são o meu fetiche
sou sem-vergonha, sem pudor.
E o resto do mundo que se lixe,
pois estou a teus pés, meu amor!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

POEMIA


Poesia você vê na rua;
poesia dói.
O poeta não ri à toa;
o poeta mói.

Poesia não pousa, voa;
poesia flui.
O poeta não inventa, sua;
o poeta, ui!

Poesia não fala, soa;
poesia é paz.
O poeta não sofre, coa;
o poeta é jazz.

Poesia você não lê, sonha;
poesia é cais.
O poeta se dá na fronha;
o poeta é mais.



sábado, 8 de novembro de 2008

NA REDE


Enquanto a vaca sacoleja sua cauda
o mundo gira, nesse eterno sacolejar.
Folhas caem... mudas; morrem.
Insetos perturbam meu sonejar.
Crias nascem, homens morrem
nesse eterno “Deus dará”.
Coisas podres, restos, morte,
nesse eterno vivenciar.
Mas, se a lança amansa,
esse eterno há de amansar.

domingo, 2 de novembro de 2008

CARNAVAL


Pinta-te de dor
e sai na avenida.
Leva também o meu amor.
Não te faças de esquecida.
Todo ano é sempre igual,
se tu sais, não tens saída.
Tens que levar o meu amor,
antes que seja tarde; despedida.
Pois em nosso carnaval
a fantasia é sem medida.
Sem engov ou sonrisol.
Nosso amor sem recaídas.




CONTA-GOTAS


Porque não mentes
tudo de uma só vez.
Dizes que me amas
cada vez que me vês.
Como um conta-gotas,
uma vez por mês...






MEUS OLHOS EM TI

Meus olhos são dentes
que mordem o teu pescoço.
Meus olhos tão contentes
de olhar o teu dorso.
Meus olhos longos
qual a língua do tamanduá.
Meus olhos compridos
a te adorar.
Meus olhos que te vêem nua
são as duas luas
do teu sistema solar.
Meus olhos aos teus pés
tão linda como és
impossível não te amar.


EU JURO !


Me usa,
que eu sou o do meio.
Me cospe,
que eu sou o recheio.


Mas não jura,
jurar é feio.
Mente-me,
que eu creio.



sábado, 1 de novembro de 2008


TU e EU


És meu devaneio, meu seio, meu meio.
Sou teu convexo, teu nexo, teu sexo.
És meu tamanho, meu sonho, meu ganho.
Sou teu modo, teu nodo, teu todo.
És meu misto, meu quisto, meu visto.
Sou teu colo, teu solo, teu tolo.

APRENDIZ

Quem pode explicar esse meu gostar.
Quem pode entender esse meu querer.
Te amo e não sei te amar.
Te quero mas não sei mostrar.
Ah! Se fosse fácil
e pudesses me ensinar.
Ah! Se eu fosse fácil
e pudesse aprender,
que sempre te perco
por não saber te querer.

sábado, 25 de outubro de 2008

A VERDADE SOBRE A MENTIRA

Na verdade, a mentira e a verdade

dependem muito da idade:

A criança nunca mente, de verdade;

O jovem mente sem saber a verdade;

O adulto mente, isso é verdade;

O velhinho só mente a idade;

E o resto? Mente barbaridade!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

RECEITA DE AMOR

Junte um balde de paixão.

Uma pitada de saudade.

Dê uma colher de chá pra tristeza.

Um samba bom.

Duas taças de vinho.

Misture tudo e

salpique ilusão.

Leve ao coração bem quente.

Não espere muito,

adore!

Dá só uma porção!

CUPIDO


Na sala de cirurgia

o meu coração todo entupido.

O doutor sutura, remenda.

Ao seu lado dá risada,

o safado do cupido.

PROSOPOPÉIA


Meu coração,

dizer que te ama

é pura prosopopéia.

Coração não fala!

Só bate ou pára,

de graxa ou bala,

de furo ou bobeira.

domingo, 19 de outubro de 2008

COMETER AMOR

COMETER AMOR

Se um cometa eu fosse,

loucuras cometeria.

Deixaria rastros de esperança e alegria

ao atravessar a noite escura;

e a outra estrela de ciúmes morreria

ao saber que até o infinito eu iria

a tua procura.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Lágrimas que se importam

LÁGRIMAS QUE SE IMPORTAM

Eu chorei...

E meu choro foi ouvido em todo lado.

Eu chorei mudo, calado.

Chorei à revelia,

uma noite, um dia.

Eu chorei...

Pelas crianças que choram,

pelas mães que choram,

pelos presos que choram,

pelos velhos que choram,

e muito mais eu chorei...

Pelos homens que nunca choram,

que nunca se importam,

que nunca se olham.

Elisa Lucinda

ELISA LUCINDA

Tu, mulher de pele negra,

lindas pernas e bela poesia.

Não te conheço e tenho-te em mim

a tanto tempo.

Traduzida no que sinto,

vestida de espanto,

enfeitando o meu canto,

consolando a minha heresia.

A Invasão ( "Alien" Apaixonado)

A INVASÃO (“ALIEN” APAIXONADO


Entrei em ti pela fresta do teu coração.

Sei de ti mais do que podes saber.

Tenho em ti mais do que podes caber.

De mim ,tens minha’lma,

meu corpo é do chão.

Estou demais em mim

por isso me instalo em ti

para dividir minha solidão.