Zé Urbano

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sábado, 8 de novembro de 2008

NA REDE


Enquanto a vaca sacoleja sua cauda
o mundo gira, nesse eterno sacolejar.
Folhas caem... mudas; morrem.
Insetos perturbam meu sonejar.
Crias nascem, homens morrem
nesse eterno “Deus dará”.
Coisas podres, restos, morte,
nesse eterno vivenciar.
Mas, se a lança amansa,
esse eterno há de amansar.

domingo, 2 de novembro de 2008

CARNAVAL


Pinta-te de dor
e sai na avenida.
Leva também o meu amor.
Não te faças de esquecida.
Todo ano é sempre igual,
se tu sais, não tens saída.
Tens que levar o meu amor,
antes que seja tarde; despedida.
Pois em nosso carnaval
a fantasia é sem medida.
Sem engov ou sonrisol.
Nosso amor sem recaídas.




CONTA-GOTAS


Porque não mentes
tudo de uma só vez.
Dizes que me amas
cada vez que me vês.
Como um conta-gotas,
uma vez por mês...






MEUS OLHOS EM TI

Meus olhos são dentes
que mordem o teu pescoço.
Meus olhos tão contentes
de olhar o teu dorso.
Meus olhos longos
qual a língua do tamanduá.
Meus olhos compridos
a te adorar.
Meus olhos que te vêem nua
são as duas luas
do teu sistema solar.
Meus olhos aos teus pés
tão linda como és
impossível não te amar.


EU JURO !


Me usa,
que eu sou o do meio.
Me cospe,
que eu sou o recheio.


Mas não jura,
jurar é feio.
Mente-me,
que eu creio.



sábado, 1 de novembro de 2008


TU e EU


És meu devaneio, meu seio, meu meio.
Sou teu convexo, teu nexo, teu sexo.
És meu tamanho, meu sonho, meu ganho.
Sou teu modo, teu nodo, teu todo.
És meu misto, meu quisto, meu visto.
Sou teu colo, teu solo, teu tolo.

APRENDIZ

Quem pode explicar esse meu gostar.
Quem pode entender esse meu querer.
Te amo e não sei te amar.
Te quero mas não sei mostrar.
Ah! Se fosse fácil
e pudesses me ensinar.
Ah! Se eu fosse fácil
e pudesse aprender,
que sempre te perco
por não saber te querer.